FRULHOS!


Poética
Maio 12, 2008, 6:52 pm
Arquivado em: Poética

“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
maneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.”

Hoje tudo que eu quero é ir embora  pra Pasárgada, porque “aqui eu não sou feliz’…

Amelie

 ”tenho tudo que não quero/ não tenho nada que quero”.

Tenho emprego, uma tv, cinema de vez em quando, que votar, carteira assinada, mp3, um seminário para apresentar, comida pronta e cama arrumada, um boteco por semana, carona de vez em quando, estágio obrigatório, pai, mãe e tudo isso, celular, relógio, e tudo isso que me prende.

Quero o mundo!

Quero Clarisse…

“Liberdade é pouco, o que eu desejo ainda não tem nome”

“…Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda…” Cecília Meireles

Quero inventar palavras…

Quero a terra do “faça-o-que-quiser”…

“Tomar banho de chapéu ou esperar papai noel”…

“Eu não quero isso, seja lá que isso for (…)                                        

Nem passar agosto esperando setembro(…)
Quero tudo, ter estrela, flor, estilo
Tua língua em meu mamilo água e sal
Nada tenho vez em quando tudo
Tudo quero mais ou menos quanto
Vida vida noves fora zero
Quero viver, quero ouvir, quero ver
(Se é assim quero sim, acho que vim pra te ver)”

E assim termina o poema do Bandeira…

“Belo belo
Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero”